Monday, January 09, 2006

Anu Nobu



"Anu Nobu" de São Domingos foi um compositor ímpar na ilha de Santiago. Não só criou funanás, como também explorou a morna, a coladeira e ainda merengue, cúmbia e samba. Autor de mais de 500 composições, sem contar com músicas para a liturgia, Ano Nobo nunca recebeu um tostão sequer pelas composições gravadas.E foram tantos os que interpretaram as suas criações: “Ta Pinga Tchapu Tchapu”, composição que fez aos 16 anos, gravada pelos Tubarões; “Domingo Decho”, “Ta Kundum Kundum”. Franck Mimita eternizou as mornas “Linda” e “Falsia d’Amigo” e todos conhecem a composição “Nha Mudjer” interpretada por Dany Silva. E claro, “Camarada Pepe Lopi”, também gravada pelos Tubarões.Ano Nobu encontrou a música em casa: o avô e o pai, Pipi e Henrique Pipi respectivamente, foram maestros da Banda Músical da Praia. Assim, não é de se estranhar que soubesse tocar vilão, bandolim, cavaquinho, gaita de boca, violino e piano. Aos 2 anos, aprendeu a tocar o violão, sob orientação da mãe. “A minha mãe tocava todos os instrumentos de corda e clarinete. Aprendeu com o meu pai, que era maestro e filho de maestro. Minha mãe foi uma professora das mais exigentes”, revelou-nos o mestre aquando de uma entrevista, em 2002, para o Magazine Kultura.Dono de uma modéstia sem par, Ano Nobo foi um homem culto, amante da leitura, e generoso, ao ensinar toda uma geração de músicos. Segundo o pupilo Manel Candinho, “Ensinou música a todos os que o procuravam, foi meu professor, um homem humilde e servidor de todos. Ano Nobo é para mim tudo de bem que se pode dizer de outra pessoa”.As Composições de Ano Nobu são testemunhos da sua vivência, com especial incidência sobre as desventuras do amor e da amizade. Enfim, um compositor das virtudes e das fraquezas humanas.Omi diskudaduKornu ta fri, noba ta daduMudjer é sima violonBu ta toka-l na primaTa soa na bordon…Como momento mais importante de sua vida, assinalou a condecoração da Presidência da República, com a medalha do vulcão . Como dramaturgo, Ano Nobu foi agraciado com o Prémio de Melhor Peça teatral de Cabo Verde, em 1999, com “Julgamento do Toto”, mais conhecido por “Toto ku Tota”. Ano Nobu deixou outras peças inéditas, nomeadamente: «Fiticêra de Língua», «Mufino Ku Maroto» e «S. Vinte Três».Ano Nobo é um dos grandes da cultura cabo-verdiana. Um grande mestre que Cabo Verde perdeu a 14 de Janeiro de 2004.

Fonte: Matilde Dias - Lantuna